Gostaríamos de Informá-lo de que Amanhã Seremos Mortos com Nossas Famílias – Histórias de Ruanda

12180183_913281762055096_2096873390_n

Livro: Gostaríamos de Informá-los de que Amanhã Seremos Mortos com Nossas Famílias – Histórias de Ruanda
Autor: Philip Gourevitch
Páginas: 416
Tempo: quase um mês inteiro

Demorei quase o mês inteiro para ler esse livro porque fiquei uma semana sem ler nada, ou fazer nada, já que fui viajar. Mas isso não vem ao caso agora. Vocês sabiam do genocídio que aconteceu em Ruanda em 1994? Sinceramente, eu já tinha ouvido falar sobre algo do tipo, mas não tinha ideia de quão horrível e desumano isso tinha sido.

O jornalista norte-americano Philip Gourevitch foi para lá, e ficou cerca de três anos pesquisando, reunindo personagens, histórias e fatos para escrever esse livro, e o resultado é muito bom e intenso. É difícil acreditar nas monstruosidades que aconteceram por anos em Ruanda e nenhum país se quer pensou em ajudar, aliás, por muito tempo ninguém usava a palavra “genocídio” para descrever as matanças.

Para quem não sabe, tem dois povos em Ruanda, hutus e tutsis, e por uma questão de preconceito e opressão, além de uma baita lavagem cerebral, hutus começaram a massacrar tutsis, bem no estilo nazistas matando judeus, só que os africanos usavam o que tinham a disposição, facões, enxadas, e tudo que desse para arrancar a vida de alguém.

A primeira parte do livro é, na maioria, relatos dos sobreviventes de 94, e explicações de como esse cenário macabro começou no país. E os relatos arrepiam! Tem um caso que ficou famoso, meu pai disse até que tem um filme, de um dono de hotel que resgatava tutsis e deixava eles ficarem no hotel, e subornando muito gente de alto escalão do Poder Hutu e outros poderosos da época, ele conseguiu salvar centenas de pessoas. E outros relatos que emocionam e fazem pensar se o mundo é um lugar bom, já que tanta gente estava sendo assassinada a sangue frio, e nenhum país fez nada.

A segunda parte do livro conta do tempo que Philip passou lá, o pós-genocídio, que continuou cheio de chachinas e mentiras, planos e armações. É bizarro, pra não dizer assustador, como tudo isso aconteceu por tanto tempo. Cadê a compaixão pelo outro? Cadê a humanidade desse pessoal? Esse tipo de fanatismo é muito assutador! O caras conseguem montar um exército com metade do país e obrigam que eles matem a outra metade simplesmente porque sim! Não sei lidar com isso.

Em 1994, pelo menos 800 mil tustsis e hutus que simpatizavam com os tutsis foram mortos, mais de um décimo da população! Tirando as que foram assassinadas nos anos seguintes nos campos de refugiados e em emboscadas organizadas para isso.

É uma leitura muito interessante e complexa ao mesmo, já que lida muito com política. Mas vale a pena ler, ainda mais para conhecer essa história “esquecida” da Terra. Só achei que alguns detalhes não eram necessários, talvez alguns bastantes já que o livro é bem grande, e queria fazer uma observação da tradução do último capítulo que me fez rir: na hora de escrever sobre o bairro de Nova York, Hell’s Kitchen quem já viu Demolidor sabe do que to falando, eles traduziram para “Cozinha do Inferno”. Demorei para associar, e comecei a rir muito depois, hahahahahaha!

Segue a sinopse:
“Entre abril e julho de 1994 mais de um décimo da população de Ruanda foi exterminada, num genocídio só comparável ao Holocausto dos judeus sob o nazismo. Patrocinada pelo governo ruandês, a maioria hutu massacrou a minoria tutsi diante da indiferença da chamada ‘comunidade internacional’. A tragédia, supostamente motivada pelo “ódio ancestral” entre as duas etnias, teve na verdade origens políticas e econômicas muito concretas. Durante três anos, o jornalista norte-americano Philip Gourevitch mergulhou na realidade ruandesa para tentar desvendar o amplo contexto cultural, político e étnico dos acontecimentos. Ouviu centenas de pessoas, reconstituindo o drama pessoal dos envolvidos na tragédia, fossem eles sobreviventes, assassinos ou cúmplices. Pesquisou as histórias recente e remota do país e, ao traçar o desenvolvimento das tensões étnicas em Ruanda, reuniu indícios suficientes para questionar a atuação dos colonizadores belgas e de outras potências ocidentais na região. Lúcido e pungente, o livro é ao mesmo tempo testemunho e reflexão sobre um dos episódios mais terríveis de nosso tempo, mostrando como, ainda hoje, a distância entre civilização e barbárie pode ser curta.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s