O Pomar das Almas Perdidas

pomar das almas perdidas

Livro: O Pomar das Almas Perdidas
Autora: Nadifa Mohamed
Páginas: 293
Tempo: seis dias

Eu não dei muito para esse livro a princípio, mas conforme fui lendo, fui me envolvendo totalmente na história! Esse é um dos méritos da autora, que soube conduzir muito bem os acontecimentos para te deixar preso às páginas.

São três personagens principais: uma garotinha moradora de rua, Deqo, uma soldado do exército revolucionário buscando seu lugar no meio dos homens, Filsan, e uma velha que já está cansada das coisas que sofreu por causa da ditadura, Kawsar. A vida das três se cruzam logo no comecinho do livro e depois demora até elas se encontrarem, e acho que foi isso que prendeu minha atenção, eu queria muito ler o momento do reencontro.

A parte da história da Deqo é bem interessante, mostra como ela se vira nesse mundão, morando na rua e lutando para sobreviver em uma Somália tomada pela pobreza. Eu gostei de acompanhar o crescimento dela, de menina para “mulher”, aspas porque ela ainda é uma criança, mas o mundo faz ela crescer.

Na sequência vem a parte da Kawsar, que achei meio monótona. Ela está presa na cama por ter quebrado a bacia e não consegue andar, então tudo se passa dentro do quartinho dela. Ela vira uma velha reclamona, que só sonha, dormindo ou acordada, o tempo todo. Demorou para passar essas páginas.

Mas aí começa a parte da Filsan e me empolguei de novo! Ela é uma mulher de 30 anos, que sofreu muito com o pai, que também era do exército, na infância, e não quer ser associada a ele, mas fazer seu próprio nome no seu meio. Ela sofre preconceito por ser mulher, mas ela é muito forte, gostei bastante dela. Na verdade, as três são muito fortes ao seu modo.

O cenário é a Somália de 1987, momento da ditadura militar no país, e justo quando vai estourar a guerra civil. E cada uma das três conta como vai sobrevivendo e lidando com as mortes e sumiços ao seu redor. E o reencontro delas é totalmente diferente da primeira vez que se veem, todas em circunstâncias diferentes e precisando umas das outras. Achei muito bonito como elas se ajudam mesmo depois de tudo.

A autora nasceu na Somália, então ela tem total liberdade para escrever sobre sua terra natal e o que aconteceu por lá. Eu, por outro lado, que não conheço muito a história do país, fiquei chocada com essa realidade tão diferente.

Senti falta dos aspectos culturais de lá serem mais explorados. A autora muitas vezes só joga os costumes no ar e não explica melhor. A mesma coisa ela fez com os termos da língua de lá, em quase todas as frases dos personagens tem uma palavra somali e você tem que adivinhar o que significa. É legal usar termos da língua nativa, mas faltou explicar melhor algumas coisas.

A história é muito cativante, você acaba vivendo a vida de cada uma dessas mulheres, participando de cada susto, cada fuga, cada dor… Me envolvi bastante com o livro! Não é uma leitura fácil e gostosa de fazer, admito, mas vale a pena separar um tempinho e dar uma chance para esse pomar cheio de histórias de força, amizade, determinação e muitos outros sentimentos.

E só uma OBS pra finalizar: eu amei essa capa! Muito mesmo!

Segue a sinopse:
“Hargeisa, segunda maior cidade da Somália, 1987. A ditadura militar que está no poder faz demonstrações de força, mas o vento que sopra do deserto traz os rumores de uma revolução, e em breve, pelos olhos de três mulheres, vamos assistir ao mergulho do país em uma sangrenta guerra civil.Aos 9 anos, atraída pela promessa de ganhar seu primeiro par de sapatos, a menina Deqo deixa o campo de refugiados onde nascera. Em circunstâncias dramáticas, conhece Kawsar, uma viúva que logo em seguida é presa e espancada por Filsan, uma jovem soldado que deixara a capital para reprimir a rebelião que crescia no norte. Intimista, singelo e poético, O pomar das almas perdidas nos lembra de que a vida sempre continua, apesar do caos e do sofrimento.”

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